• O mito de Pan, a representação do medo

O mito de Pan, a representação do medo

17 de maio de 2017 \\ Artigo Daniella Sinotti

O medo é uma das grandes causas que leva as pessoas a procurarem atendimento terapêutico. Muitos mitos e arquétipos, em diferentes culturas, tratam desse tema. A mais conhecida referência mitológica do medo é o deus Pan da mitologia greco-romana, cuja consagração acontece no dia 18 de maio, de acordo com o ‘Anuário da Grande Mãe’. Trata-se de uma figura masculina selvagem, peluda, com chifres e cascos, que toca uma flauta. O mito de Pan deu origem à imagem posteriormente designada ao diabo.
O deus Pan, apesar de seu lado obscuro, é regente dos espíritos da natureza, das florestas e dos animais. Na mitologia, ele é filho de Hermes e da Ninfa Dríope. Sua feiura assombrava os bosques e pastos da Arcádia. Vale reforçar que as imagens dos arquétipos gregos fornecem modelos para a cultura secular do ocidente e dizem respeito a muito do que permeia nossos aspectos inconscientes.
O nome síndrome do pânico deriva do mito de Pan, numa metáfora que nos convida a pensar sobre os aspectos mais instintivos e escondidos da natureza humana. Dentro de cada um de nós há algo escondido em grutas e cavernas, instintos primitivos que precisamos confrontar. Ao negar a nossa natureza, nós adoecemos. Talvez isso explique o crescente número de pessoas que se abatem pelo crescente medo, num mundo onde nem sempre há tempo e vontade para o autoconhecimento e a autodescoberta.
Aceitar a natureza de Pan em nosso íntimo é um convite para que possamos liberar os aspectos criativos desse arquétipo. É preciso humildade e aceitação para vencer os bloqueios e limitações, sobretudo a natureza amoral e rude que insistimos em esconder, em vez de encarar.
Texto escrito por: Daniella Sinotti, Terapeuta Transpessoal Sistêmica e Jornalista.
MTB 1870 / CRTH-BA 01434/17