• Os véus da ilusão da deusa Maya

Os véus da ilusão da deusa Maya

28 de junho de 2017 \\ Artigo Daniella Sinotti

 “Aquilo que à gente do mundo sensorial parece ser real e verdadeiro, para o sábio é ilusão: e aquilo que a maior parte dos homens julga ser irreal e não existente, o sábio conhece como o único que é Real e existente”. (Bhagavad Gita – II-69)

Para a filosofia hindu, o mundo material não passa de uma ilusão dos sentidos. Nessa perspectiva, tudo que entendemos como o mundo real seria uma percepção de nossa consciência, mediada pelos sentidos físicos. O mito da deusa Maya é a representação dessa ilusão do mundo material, que domina a consciência humana com véus que nos impedem de perceber a realidade.
O conceito da ilusão que domina a consciência, difundido pelos hindus há 4.500 anos, é foco de estudos da neurociência. O cérebro humano possui um filtro do sistema cognitivo, denominado Sistema de Ativação Reticular, responsável por filtrar para a nossa consciência o que ocorre à nossa volta. A existência desses véus de ilusão é necessária. Nossa mente não suportaria todos os estímulos aos quais estamos expostos. 
Quando passamos a compreender melhor alguns mecanismos do cérebro, entendemos que nossas crenças afetam aquilo que temos como compreensão da realidade. Assim podemos desnudar alguns véus da ilusão da deusa Maya. Exemplo de como a ilusão nos afeta é a noção que temos de tempo. Obcecados por algo que entendemos como real, caímos na armadilha dos que pregam que tempo é dinheiro. Assim abdicamos da realização de nossos ensejos mais profundos, movidos pela pressa e a impressão de que não temos tempo, impregnados por bloqueios destrutivos.
Num cotidiano tomado por situações que envolvem dores, traumas, frustrações e culpa, nossa percepção de mundo passa a ocorrer a partir daquilo que nos afeta. Assim permanecemos envoltos nos véus que nos cegam para a percepção da realidade. Libertar-se de alguns padrões destrutivos e dos condicionamentos criados a partir de falsas crenças sobre o mundo é possível quando ampliamos a percepção da realidade, lançando um novo olhar para o exterior e o interior. 
Assumir o papel de observador da realidade, entrar em contato com a própria essência e procurar o caminho da libertação através de processos terapêuticos pode ser interessante. Deixo aqui uma proposta de meditação para quem deseja ampliar a consciência. Num lugar calmo e arejado, sente-se com as costas retas e pernas cruzadas. Feche os olhos e respire profundamente. Imagine-se como um ponto de luz que se expande. 
Avalie as situações que o afligem no cotidiano e veja cada uma delas sendo liberada como um ponto de luz. Por fim, tenha em mente que cada situação que passamos é importante para o nosso crescimento pessoal. Mantenha um sentimento de gratidão, lembrando de que cada pessoa que cruza o nosso caminho pode colaborar com o nosso crescimento pessoal. Lembre-se que as pessoas difíceis são as que mais nos impulsionam a ultrapassar nossos limites.

Texto escrito por Daniella Sinotti, Terapeuta Transpessoal Sistêmica e Jornalista.

https://daniellasinotti.wordpress.com/2017/06/28/os-veus-da-ilusao-da-deusa-maya/