Caneta Afiada

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Sandro Penelú

A violência vista por outro ângulo

27 de fevereiro de 2019 \\ Caneta Afiada

A violência urbana deixa-nos, a cada dia, mais e mais atordoados com um índice assustador de assaltos, estupros, assassinatos e demais tipos de agressões.

No momento de um assalto, o cérebro provoca reações no corpo, afetando órgãos vitais para a vida humana. Se alguém lhe aborda com uma arma de fogo em punho, por exemplo, anunciando um assalto, o medo de que o assaltante possa puxar o gatilho, estimula o hipotálamo, região do cérebro que aciona o metabolismo e controla as atividades involuntárias do organismo.

Uma mensagem corre pela coluna vertebral e avisa às glândulas suprarrenais para carregar o hormônio chamado adrenalina no sangue. Começa aí uma reação em cadeia.

A adrenalina prepara o corpo e o cérebro para a possibilidade de fuga ou ataque. A respiração e os batimentos cardíacos se aceleram e o metabolismo também fica mais rápido, criando força e vigor para o momento decisivo.

O estômago e a bexiga, tanto do assaltante quanto da vítima, se contraem, interrompendo qualquer processo digestivo, que por ventura esteja em curso. O sangue corre para os músculos voluntários (pernas e braços, principalmente) preparando uma eventual reação.

O alarme químico provoca vaso constrição na pele, deixando pálidas as personagens da cena. Os dois passam a transpirar abundantemente. A voz do assaltante soa ríspida, suas pupilas se dilatam e a boca de quem é assaltado fica seca.

A aceleração cardíaca faz o sangue circular mais rápido e com isso os movimentos corporais ficam bruscos. Os músculos saltam, prontos para a ação, devido ao aumento da taxa de glicose. Se a quantidade de adrenalina liberada ultrapassar o nível normal, o cérebro fica confuso, levando o indivíduo a reações pouco racionais, afetando até a sua memória.

Só na cidade de São Paulo, a cada duas horas cerca de trinta pessoas são assaltadas e duas morrem em decorrência desse embate, por motivo de um dos dois lados ter se desesperado e... uma arma é usada.

Mas, afinal, alguém nasce violento ou é o ambiente que o deixa assim? Os cientistas trabalham duro na busca de uma resposta. Em 2018, a análise do DNA dos integrantes de uma família holandesa, na qual se registravam vários casos de conduta violenta, levou à conclusão de que um defeito genético era o responsável pelos acessos de violência.

Segundo um professor do Departamento de Biologia da USP, a resposta estaria na interação entre essas tendências genéticas e as influências do ambiente. Para um pesquisador da Universidade de Massachusetts (EUA), o comportamento é cinquenta por cento hereditário e cinquenta por cento ambiental.

Um médico italiano, do início do século XX, foi o primeiro a falar sobre hereditariedade no comportamento violento dos indivíduos. Ele inventou a antropometria, segundo a qual, quanto maior a semelhança com um símio, mais próxima dele encontra-se a pessoa. Para esse médico, cerca de quarenta por cento dos criminosos agem segundo uma compulsão herdada. Os outros agem movidos por paixões ou perda de controle. Segundo ainda a sua tese, os criminosos de nascença têm insensibilidade à dor, dificuldade para ficarem envergonhados e possuem uma visão bastante aguda.

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