Milton de Britto

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VIDA INTELIGENTE

11 de março de 2014 \\ Milton de Britto

Em uma galáxia, dentre milhões, que ocupam o espaço sideral, existe um planeta, com seres inteligentes, denominado – Metrópoles. Não se vê a olho nu, mas, se tem notícia de vida semelhante ao que se conhece no planeta terra, com procedimentos inversos. 
 
Realmente vida inteligente. Nele, não se criou deuses, mesmo porque, os seus habitantes são imortais, através de sucessões contínuas, pela transmigração do conhecimento, essência formando essência.
 
Estipulou-se como organização da sociedade, uma forma de governo, que se inicia pelos pequenos núcleos, que se reúnem, discutindo métodos de administração e escolha dos representantes, para o seu gerenciamento, ao tempo que são delegados, para a escolha de representantes, na administração da comunidade maior. O governo central, é escolhido pelos representantes das 22 comunidades maiores, vedada a improbidade, a corrupção, o apadrinhamento, a falcatrua, o engodo, tendo-se como norma maior – a honestidade. Toda a população do planeta, recebe educação plena e gratuita, dando, em contrapartida, dois anos de serviço à administração pública, como forma de retribuir os benefícios recebidos.
 
Havendo uma rotatividade nestes serviços, por conseqüência, todos são contemplados com assistência médica, odontológica, social, econômica e advocatícia, sem ônus pecuniário. Os núcleos habitacionais são divididos por casta, conforme o nível intelectual de cada um, e assim reina o entendimento e a paz, sem discordâncias, mesmo porque, a linguagem é universal. As reuniões para escolha dos governantes ocorrem de cinco em cinco anos e os candidatos apresentam para a comunidade os seus currículos, demonstrando as suas aptidões, ao tempo que submetem à apreciação, os seus planos de governo. Os legisladores têm por obrigação o conhecimento das normas legislativas, exigindo-se para tanto a certificação por escolas especializadas, nas mesmas condições estabelecidas para todas as profissões. A política é um exercício de profissional habilitado, não se permitindo aos leigos. Toda a população é obrigada a uma contribuição para o governo, equivalente a 20% (vinte por cento) dos seus rendimentos, sendo proibida a taxação ou cobrança de qualquer tributo, se não esta, sobre as demais atividades, seja mercantil ou de serviço.
 
Ninguém é isento da contribuição aludida, não havendo privilégio. Todos são iguais perante a lei e não se admite a sua ignorância. A crença é do ser para o outro ser. Não há templários, porque não existem deuses, mesmo porque são todos frutos de uma criação espontânea, advinda de partículas existentes no universo, cuja dimensão não se conhece.
 
Tem-se por princípio que o cosmos é infinito e o conhecimento é o limite finito do ser, renovado sempre a cada geração. A ciência o caminho. O amor, a célula mater e a ética a essência social, sem a qual não existe família, nem governo. Instituiu-se como necessidade suprema, a presença de filósofos, nas escolas e nos governos, abominando-se os conselheiros negocistas, desvinculados dos princípios éticos. Aqueles que violarem os princípios estabelecidos em Metrópoles, serão enviados para outra galáxia, orbitando sem rumo certo, até que, reciclados, possam retornar ao ponto de partida. O esporte é a atividade pela qual se mantém o físico em harmonia com a psiquê, e a música - o bálsamo da alma, do espírito, essência eterna do ser. A leitura - obrigação lapidar da consciência intelectualizada, necessária para a convivência no planeta. Qualquer divergência é dissipada em reuniões com filósofos, que são os mais sábios, de cuja decisão não cabe recurso. Não há forças armadas, pela total ausência de beligerância. Há por princípios – “salus populi, suprema Lex esto” (que o bem-estar do povo seja a lei suprema); e “summ cuique” (a cada um, o que é seu).
 
Em um momento utópico, do ano de 2013.
 
 

Milton de Britto