NOVAS AMEAÇAS A CAMADA DE OZÔNIO

18 de março de 2014 \\ Osmando Barbosa

Que a camada de ozônio está localizada na atmosfera, entre 15 e 30 quilômetros acima da superfície da Terra e que funciona como uma espécie de "escudo protetor" do planeta, pois absorve cerca de 98% da radiação ultravioleta de alta freqüência emitida pelo Sol, todos sabem (ou deveriam saber). Sem esta camada a vida humana em nosso planeta seria praticamente impossível. 
 
Outra informação de aparente domínio público é a principal causa do chamado “buraco na camada de ozônio”: a reação química dos CFCs (clorofluorcarbonos), presentes, principalmente, em aerossóis, ar-condicionado, gás de geladeira, espumas plásticas e solventes, com o ozônio. Os CFCs entram em processo de decomposição na estratosfera, através da atuação dos raios ultravioletas, quebrando as ligações do ozônio e destruindo suas moléculas. Por tudo isso, desde meados dos anos 80, preocupações sobre o crescente buraco na camada de ozônio vêm restringindo a produção desses gases.
 
O que quase ninguém sabe é que pesquisadores da Universidade de East Anglia, em Londres, descobriram evidências de quatro novos gases que podem destruir o ozônio e que estão sendo lançados na atmosfera e que estão contribuindo para a destruição dessa camada protetora.
 
Embora as concentrações atuais desses gases ainda sejam pequenas, dois deles estão se acumulando na atmosfera a uma taxa significativa.
 
Três dos gases são CFCs e um é o hidroclorofluorocarboneto (HCFC), que também pode danificar o ozônio.
 
'Nossa pesquisa identificou quatro gases que não estavam na atmosfera até a década de 1960, o que sugere que eles são produzidos pelo homem', disse o chefe da pesquisa, Johannes Laube.
 
Os cientistas descobriram os gases analisando blocos de neve. Segundo eles, o ar extraído dessa neve é um 'arquivo natural' do que estava na atmosfera até 100 anos atrás.
 
Os pesquisadores também analisaram amostras de ar coletadas no Cabo Grim, uma região remota na ilha da Tasmânia, na Austrália.
 
Eles estimam que cerca de 74 mil toneladas desses gases foram liberados na atmosfera. Dois dos gases estão se acumulando a taxas significativas.
 
'Nós não sabemos de onde os novos gases estão sendo emitidos e isso deve ser investigado. Fontes possíveis incluem insumos químicos para a produção de inseticidas e solventes para limpeza de componentes eletrônicos', afirmou Laube.
 
'Além do mais, os três CFCs estão sendo destruídos muito lentamente na atmosfera - por isso, mesmo se as emissões parassem imediatamente, eles ainda permaneceriam na atmosfera por muitas décadas', acrescentou.
 
Os quatro novos gases foram identificados como CFC-112, CFC112a, CFC-113a, HCFC-133a.
 
O CFC-113a foi listado como um 'insumo agroquímico para produção de piretróides', um tipo de inseticida que já foi usado largamente na agricultura.
 
Assim como o HCFC-133a, ele também é usado na fabricação de refrigeradores. Os CFC-112 e 112a podem ter sido usados na produção de solventes de limpeza de componentes elétricos
 
Outros cientistas reconheceram que, embora as concentrações atuais desses gases sejam pequenas e não representem uma preocupação imediata, uma pesquisa para identificar sua origem precisa ser feita.
 
'Esse estudo destaca que a destruição do ozônio ainda não é a história do passado', disse Piers Forster, professor da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra. 'As concentrações encontradas neste estudo são minúsculas. No entanto, nos lembra que precisamos estar vigilantes e monitorar continuamente a atmosfera'.
 
'Das quatro espécies identificadas, CFC-113a parece ser o mais preocupante, já que a emissão, embora ainda pequena, cresce rapidamente', acrescentou.
 
A preocupação da comunidade científica se dá graças às conseqüências negativas que o aumento na camada de ozônio pode trazer a vida em nosso planeta. a radiação não é absorvida chega ao solo, podendo provocar câncer de pele nas pessoas e problemas reprodutivos em todos os animais (inclusive o homem), pois os raios ultravioletas alteram o DNA das células.