TURISMO NA COPA DECEPCIONA

01 de julho de 2014 \\ Osmando Barbosa

A realização da Copa do Mundo prometia uma explosão turística em nosso estado. Mas para alguns empreendedores da principal atividade econômica do Estado, o tal “boom” não é mais do que uma frustração. Apesar da expectativa do Ministério do Turismo de mais de 200 mil visitantes na capital, nesse período, os turistas ficam poucos dias e não utilizam muitos recursos turísticos.
 
Essa estimativa gigantesca para um período tão curto não resultou em movimento para muita gente que trabalha com turismo. Passados quatro dos seis jogos marcados para o melhor estádio do país, ou melhor nossa Arena Fonte Nova, os empresários são taxativos: “Nós criamos uma perspectiva de grande movimento, mas foi um fracasso”, classificou um comerciante do ramo de locadoras de veículos.
 
Desde o início do mundial de futebol, a sua empresa só alugou carros para os clientes locais, sejam eles empresas ou pessoas físicas. Houve uma única exceção. “Só veio de Pernambuco. Um turista veio de Fernando de Noronha passou por Salvador para ver um jogo, mas nem ficou. Foi para Fortaleza”, contou o empresário.
 
Convém ressaltar que o período de junho é tradicionalmente de baixa estação. No entanto, neste ano o movimento está ainda menor do que o esperado. “A gente esperava um movimento acima de 50%”, disse. Segundo este empresário, a locadora está com 17 carros parados de um total de 30.
 
No início do mês de maio essa média era menor. “Até o dia cinco de maio, tinha uma média de cinco carros parados”, relatou. As obras realizadas em Salvador para a Copa do Mundo representaram grande parte do movimento nesse período pré-copa. “Com o fim das obras no Aeroporto e no entorno da Arena, o movimento caiu muito”, disse. Contraditoriamente, a fase de preparação do evento gerou mais movimento do que a própria Copa do Mundo.
 
Para Couto, outro empresário que entrevistamos, vários fatores contribuíram para essa frustração. “Nós tivemos um número enorme de reservas feitas pela Fifa e depois foram canceladas. Salvador não conseguiu deixar um número considerável de seleções fixas aqui, como base. Se a seleção alemã ficasse aqui na capital, teríamos o dobro de turistas.
 
Além disso, Couto observou que os turistas estão vindo a Salvador para passar, em média,
dois dias. Esse seria o tempo de chegar a capital, ver o jogo e ir para a próxima parada.
 
Essa média de tempo é bem menor do que mostram as pesquisas sobre permanência de turistas que vem nos visitam por outros motivos. Em outras épocas do ano, a média de permanência é de sete dias na cidade.
 
Isso ficou claro nas enquetes que fizemos nos hotéis. Em nenhum dos hotéis pesquisados, nenhum turista estrangeiro ficou hospedado mais de cinco dias. Para os hoteleiros, o turista que veio para a Copa do Mundo é bem semelhante ao turista do carnaval. O turista vem só para o evento mesmo.
 
Por outro lado, a devolução de 40% das reservas de hotéis feitas pela Fifa também devem causaramimportantes impactos na economia. Para suprir as vagas que eram dadas como certas, os donos de hotéis fizeram até o antes impensável: reduções de preço, com promoções de até 50% de des