ECONOMIA AGONIZANTE

13 de outubro de 2014 \\ Osmando Barbosa

O Fundo Monetário Internacional acaba de dar mais um golpe em nossa cambaleante economia. Com todo o peso institucional que ainda carrega, o FMI aprontou na última semana diversas mazelas na economia mundial.  E o Brasil, claro, não ficou de fora. Muitos de nós, economista já prevíamos, mas o Fundo detectou de forma ainda mais dura o quanto o país está longe das metas de crescimento econômico. Nossa expectativa de crescimento econômico foi revisada de 1,3% para 0,3%. Isso mesmo! Cresceremos apenas 20% daquilo que se previa! 
 
O relatório trimestral “Panorama da Economia Mundial” divulgado na última semana, expõe o desânimo e as criticas que os analistas do fundo têm sobre o ritmo de recuperação da economia mundial. Todos os países analisados pela entidade sofreram queda nas previsões de PIB. No entanto, ainda que todos tenham sido atingidos, nossa situação é alarmante. Pior do que o Brasil só a Rússia e a Itália, e essa última já passou para o campo negativo.
 
O relatório do FMI fala em crescimento abaixo do potencial em muitos países, especialmente o Brasil. Quando diz isso ele reconhece que o país poderia estar melhor se as condições macroeconômicas estivessem mais equilibradas. A saber: inflação controlada, investimento em alta e confiança restabelecida. Para justificar uma revisão tão forte como a que fizeram, os economistas do fundo citam os juros elevados, mas ressalvam que, sem eles, a coisa podia estar pior.
 
Quanto mais desgarrada estiver a inflação, mais caro fica trazê-la de volta. E esse preço nós já estamos pagando, justamente com os juros mais altos que desestimulam o crédito, o consumo e o investimento de longo prazo no país.
 
Em alguma medida o FMI concorda com o diagnóstico feito pelo governo brasileiro para o baixo crescimento e os desequilíbrios da economia. Eles concordam que o mundo não está ajudando o Brasil a se recuperar. Afinal, nós somos os maiores vendedores de soja e minério de ferro do planeta, produtos que estão empacados por causa da queda de demanda e redução dos preços internacionais. Se nós vendêssemos máquinas ou produtos com maior valor agregado, talvez o mundo pudesse nos ajudar mais.
 
Durante os anos da bonança do mercado externo nós vendíamos à rodo para alimentar a China e o resto do mundo. Nesse ambiente a gente trocava um grão de soja por pneu; um grão de soja por máquina; um grão de soja por gasolina. Agora que o mundo não quer, ou precisa menos de soja, nós não temos o que vender. Pelo menos não com preço e qualidade que o consumidor exige hoje.
 
O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, chamou o desempenho econômico mundial em 2014 “é medíocre” e vai manter fragilizados os países que estiverem com a casa desarrumada. Gostando ou não do que dizem os executivos do fundo, não há como escapar do julgamento alheio a partir da analise da entidade.
 
A amarga revisão feita agora pelo FMI engrossa o coro dos economistas brasileiros e, infelizmente, dá mais razão ao que dizem os números da nossa economia e não ao que veem e justificam os condutores da política econômica. Precisamos mudar alguma coisa!