PETROBRAS: É HORA DA TRANSPARÊNCIA

25 de novembro de 2014 \\ Osmando Barbosa

O derretimento das ações da Petrobras negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo deflagrado na última semana reflete o medo dos acionistas sobre o tamanho do prejuízo que a corrupção pode ter custado à companhia. Quando a petrolífera anuncia ao mercado que não poderá publicar seu balanço do terceiro trimestre é porque a direção da empresa não tem uma resposta para esta dúvida.
 
A contabilidade da Petrobras precisa dizer quanto dos investimentos registrados nos últimos anos foi realmente alocado nas obras e quanto foi parar no duto da corrupção. Por exemplo, a refinaria Abreu e Lima, no nordeste – deve estar lá no balanço da companhia que ela custou até o momento R$ 19 bilhões. Se e quanto desse valor escapou pelo ralo dos escândalos?
 
A crise que atinge a maior empresa do Brasil caminhava perigosamente pelo campo político, com as denúncias feitas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, envolvendo empreiteiras e parlamentares da base aliada do governo. As revelações já estavam causando perdas expressivas à Petrobras, mas os prejuízos reais ainda estavam no campo das especulações.
 
Com a decisão de não publicar suas contas, a Petrobras passa pela porta das regras e leis de mercado – daqui e dos Estados Unidos, onde ela também negocia suas ações. Para ganhar este posto de empresa “listada” em bolsas, a petrolífera assumiu a responsabilidade de cumprir com todas as exigências de gestão, governança e, principalmente, de transparência – tanto do Brasil quanto lá de fora. São os acionistas os maiores beneficiários desse emaranhado de regras – os grandes e pequenos investidores.
 
A partir de agora não há mais volta: ou a Petrobras mostra os estragos causados pela gestão dos últimos anos, que a operação da Polícia Federal Lava Jato quer provar criminosa, ou vai enfrentar um desmonte de suas posições no mercado de capitais com a venda de ações e a das captações de recursos que fez no exterior. O pontapé inicial desse processo já foi dado e não foi pela Petrobras. A recusa da empresa de auditoria a aprovar as contas da companhia levantou a última cortina que protegia as escolhas feitas pela atual diretoria da petrolífera.
 
Em tempo: a Petrobras é uma empresa rica, forte e com muita capacidade de geração de resultados. O plano de investimentos para os próximos anos, de US$ 180 bilhões, é factível e pode trazer bons frutos. Agora é a hora de responder a tudo e a todos, blindar a companhia dos maus feitos do passado recente e devolvê-la ao seu papel por capacidade e vocação.
 
A Justiça tem feito sua parte. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância, determinou na última terça-feira (18) ao Banco Central a quebra do sigilo bancário de 16 dos 23 presos da nova etapa da operação policial. Entre os suspeitos que terão as contas bancárias devassadas estão o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e executivos de algumas das principais empreiteiras do país.
 
O magistrado também ordenou que a autoridade monetária envie à Justiça Federal do Paraná os dados bancários do lobista Fernando Soares, conhecido como "Fernando Baiano", apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
 
Resta a administração da empresa mostrar ao mundo que a organização é maior que o escândalo. E a palavra de ordem agora é transparência.
 
 Osmando Barbosa Caldas Filho