O 1º de maio
O cidadão um pouco mais desatento nem percebeu, mas o último domingo foi o Dia Mundial do Trabalho. Não sei se foi o fato da data ter caído no domingo, ou a apatia de nossos sindicatos, a principal responsável pela indiferença de todos em relação à data neste ano. No entanto, mesmo que todos a tenham esquecido aqui estou eu a perguntar: como surgiu o 1º de maio?
O Dia Mundial do Trabalho, como era de se esperar, foi criado em um Congresso Socialista. O que pode surpreender muitos é a localização desse Congresso: França, mais precisamente, Paris, em 1889. E por que 1º maio? Seria a data de uma grande revolução socialista? Uma rebelião em um país comunista? Não. Acreditem, a data foi escolhida em tributo à greve geral, que aconteceu em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
Pois é, foi nesse país que durante anos fomentou ditaduras em toda a América Latina por medo do socialismo, que em 1º de maio de 1886 milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Contudo, o movimento sofreu dura repressão: não faltaram prisões, feridos e diversos mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em reconhecimento aos inúmeros mártires de Chicago e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, o primeiro dia do mês de maio ficou reconhecido como o Dia Mundial do Trabalho.
Aqui na parte sul e tunipinquim da América, as comemorações do Dia do Trabalho estão também relacionadas à luta pela redução da jornada de trabalho, maior participação do trabalhador nos lucros das empresas, remunerações dignas... Na primeira celebração do 1º maio, que se tem registro, foram protagonistas os militantes do Centro Socialista, uma entidade fundada em 1889 por ativistas políticos como Silvério Fontes, Sóter Araújo e Carlos Escobar. A manifestação que teve repercussão em todo país, ocorreu em Santos, em 1895. No entanto, por aqui, a data foi consolidada como o Dia dos Trabalhadores apenas em 1925, quando o presidente Artur Bernardes baixou um decreto regulamentando o, agora, feriado nacional. Desde então, comícios, pequenas passeatas, festas comemorativas, piqueniques, shows, desfiles e apresentações teatrais ocorrem por todo o país.
Mas, foi com Getúlio Vargas que o 1º de maio ganhou status de “dia oficial” do trabalho. Era nessa data que o governante anunciava as principais leis e iniciativas que atendiam as reivindicações dos trabalhadores, como a instituição e, depois, o reajuste anual do salário mínimo ou a redução da jornada de trabalho para oito horas.
Foi Vargas quem criou o Ministério do Trabalho, promovendo uma política de atrelamento dos sindicatos ao Estado. Nessa época, foi regulamentado o trabalho da mulher e do menor. Foi também Getúlio quem promulgou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), garantindo o direito a férias e aposentadoria.
Na Constituição de 1988, promulgada no contexto da distensão e redemocratização do Brasil após a ditadura militar apesar de termos 80% dos tópicos defendendo a propriedade e meros 20% defendendo a vida humana e a empregabilidade, conseguiu-se uma série de avanços como as Férias Remuneradas, o 13º salário, multa de 40% por rompimento de contrato de trabalho, Licença Maternidade, previsão de um salário mínimo capaz de suprir todas as necessidades existenciais, de saúde e lazer das famílias de trabalhadores, etc.
Cabem a nós, os trabalhadores de hoje, lutar para que sejam mantidos os direitos constitucionais adquiridos (há quem fale em fim do 13º salário!) e buscar, claro, mais avanços, principalmente na direção de uma melhor qualidade de vida.
Parabéns, a todos que, com seu suor diário, ajudam a construir um Brasil melhor. Feliz Semana do Trabalho!