Junho, o mês mais feliz do ano!

30 de maio de 2011 \\ Osmando Barbosa

Festas Juninas! É desse jeito que todos aqui no Brasil (mesmo aqueles que vivem no sul maravilha e nunca sentiram o prazer de soltar uma bombinha sequer) chamamos as festas comemoradas no mês de junho em homenagem a três Santos Cristãos: Santo Antônio (dia 13), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29).
Com certeza, está na influência que as tradições portuguesas exercem sobre nossa cultura, a principal razão pela qual comemoramos as datas desses mártires do catolicismo. Contudo, é inegável que tal comemoração teve influência de povos antigos como os celtas, os gregos e os romanos que praticavam rituais com fogueiras e festejos para homenagear os deuses da colheita. Por quê? É exatamente no mês de junho, início do verão nos países do hemisfério norte, a época mais propícia ao plantio.
Como é gostoso ser nordestino em junho! Só aqui, esse mês é marcado por festas típicas, comidas deliciosas e muita dança. Costumamos montar um arraial (aldeia temporária, pois só existe durante as comemorações), com barracas de comidas típicas da nossa região, brincadeiras, jogos, dança e muita diversão. Arraial que se preze tem fogueira, bandeirinhas para decoração, quadrilhas, baião, forró, e gente vestida de caipira (um jeito estilizado e carinhoso de mostrar e homenagear o homem da roça), casamento na roça e mais.
Não vou ser hipócrita e dizer que não sinto saudade dos balões. Eram lindos! Mas devido aos incêndios que essas preciosidades podem provocar, é aconselhável evitá-los. Ainda há muita diversão nos fogos de artifício, nas quadrilhas, encenações...
As festas juninas são comemoradas no Brasil desde o século XVI. Tais comemorações sofreram muitas adaptações desde o seu início no nosso país.
As festas juninas nos fazem viver intensamente nosso folclore, a nossa cultura. Nessas festas temos a influência de vários povos que marcaram a nossa história. Dos portugueses nós herdamos muito, comidas (como arroz doce), a religião, algumas danças como a dança das fitas. Dos franceses herdamos a quadrilha com passos e marcações inspirados na corte européia. Dos índios o gosto por alimentos como mandioca, milho. Dos africanos danças, comidas. Como é gostoso ser o produto dessa miscigenação de culturas e raças! É impossível separar as influências! Somos sim, o resultado de tudo isso, uma gostosa mistura de povos e tradições!
Claro que as comemorações não são iguais de estado a estado, de região a região. Cada região, ou mesmo cidade, valoriza mais uma ou outra data. Em geral, é São João o mais paparicado dos santos, mas existem cidades, como Santo Antônio de Jesus, por exemplo, onde o dia 24/06 é uma data coajuvante. Vamos conhecer cada santo?
Santo Antônio é conhecido como santo casamenteiro, santo que protege e preserva o amor e também um santo que encontra coisas. Geralmente na véspera da festa desse Santo, as pessoas interessadas em casar, arrumar um amor ou preservar o seu , costumam fazer simpatias par ao santo.
Santo Antônio foi um religioso português que nasceu em 1195 em Lisboa. Morreu jovem ainda , com apenas 36 anos em Pádua, na Itália.
São João, o mais popular e cultuado dos três, é considerado santo protetor das mulheres grávidas. Segundo a Bíblia, João era primo em segundo grau de Jesus, pois Isabel era prima de Maria. João batista batizou Jesus nas águas do rio Jordão, rio que hoje faz a fronteira entre Israel e a Jordânia e entre esta e a Cisjordânia. Segundo a lenda (nem sempre baseada na bíblia): Isabel, mãe de São João era prima da Virgem Maria. São João não havia nascido ainda, mas era esperado. Isabel prometeu à Virgem avisá-la logo que criança nascesse. As duas casas não eram muito distantes, de modo que de uma se avistava a outra, com um pouco de esforço. Numa noite bonita, de céu estrelado, São João nasceu. Para avisar a Virgem, Isabel mandou erguer, na porta de sua casa, um mastro e acendeu uma fogueira que o iluminava. Era o aviso combinado.
A Virgem Maria correu logo a visitar a prima. Levou-lhe de presente uma capelinha, um feixe de folhas secas e folhas perfumadas para a caminha do recém –nascido”. João Batista é descrito na Bíblia como pessoa solitária, um profeta de grande popularidade. Fez severas críticas à família real da época, a do rei Herodes Antipas, da Galiléia, pois o rei era amante da sua cunhada, Herodíades. Segundo o evangelho de São Marcos (cap. 6, vers. 17-28) Salomé, filha de Herodíades, dançou tão bonito diante de Herodes que este lhe prometeu o presente que quisesse. A mãe de Salomé aproveitou a oportunidade para se vingar: anunciou que o presente seria a cabeça de João Batista, que se encontrava preso. O “presente” foi trazido em uma bandeja de prata.
A imagem de São João Batista é geralmente apresentada como um menino com um carneiro no colo, já que segundo a Bíblia, ele anunciou a chegada cordeiro de Deus. Diz a lenda que São João adora festa, mas que é preciso muitos fogos e uma fogueira bem bonita para ele ficar feliz (não custa nada satisfazê-lo, né?).
São Pedro foi pescador e apostolo de Jesus. É conhecido como santo dos pescadores, guardião das chuvas e “porteiro do céu”. Depois da morte de Jesus, Pedro viveu muitos anos pregando a palavra de Deus. É considerado o fundador da Igreja Católica e, consequentemente o primeiro papa. Preso pelo imperador Nero, converteu carceireiros e escreveu duas epístolas em seus oito meses de prisão. Condenado à morte, São Pedro  foi como o  divino Mestre, cruelmente açoitado e  em seguida levado à colina vaticana para ser crucificado. Estando tudo pronto para a execução, São Pedro pediu aos algozes que o pregassem na cruz com a cabeça para baixo, porque se achava indigno de  morrer como o divino Mestre. Assim morreu o primeiro Papa da Igreja Católica. No lugar do suplício foi mais tarde edificada a  Basílica de  São Pedro. Os restos mortais do Príncipe dos Apóstolos e  primeiro Papa se acham na mesma Basílica.
As fogueiras fazem parte da tradição das festas juninas. O fogo é tido como símbolo de purificação desde a antigüidade. Cada festa porém, tem a sua fogueira especial. Na festa de Santo Antônio a fogueira deve ter uma base quadrada. Na festa de São João a fogueira deve ter uma base redonda, fazendo a fogueira ser cônica, em formato de pirâmide. A fogueira da festa de São Pedro deve ter a base triangular e deve ser triangular.
Por tudo isso, não escondo minha felicidade: que venha junho!